sexta-feira, 25 de maio de 2018

5 mistérios modernos relacionados com o Antigo Egito

Que o Egito Antigo fascina muita gente não é mistério algum e o motivo já sabemos: as pessoas tendem a ter uma identificação nostálgica ou mística com esta extinta civilização, mas que ainda assim parece viva aos olhos modernos.
Neste sentido, alguns indivíduos usualmente buscam explicações espectrais ou mesmo criar toda uma lenda urbana ligadas com a antiguidade egípcia para explicar fenômenos ou tragédias. Selecionei para comentar cinco das quais achei mais interessantes:
1 – A estátua que gira:
Estátua de Neb-Sanu. 2013.
Estátua de Neb-Sanu. 2013.
Esta ocorreu este ano (2013) e tornou-se viral na internet, até recebi algumas mensagens pedindo a minha opinião acerca. A história é que os diretores do Museu de Manchester, na Inglaterra, notaram que uma das estátuas exibidas para o público encontrava-se em uma posição diferente a cada manhã e para tentar solucionar o mistério instalaram uma câmera no local para filmar o artefato noite e dia. O que descobriram é que o objeto, durante o horário de visita, estava girando e até o final das filmagens ela quase faz 180 graus.
A estátua possui 25 centímetros de altura, e pertenceu a um homem chamado Neb-Sanu, que viveu há 1800 a.E.C.. As imagens acabaram impressionado algumas pessoas. Segue o vídeo:

A explicação: na época em que se tornou viral, o esclarecimento dado para o fato da estátua se movimentar somente de dia é que a vibração causada pelos pés dos visitantes fizeram com que o objeto se mexesse. O que não é impossível. Se vale de alguma serventia meu próprio relato, na época em que trabalhei numa escavação arqueológica na cidade onde se encontra a Universidade em que eu estudava, passei semanas indo para o laboratório, que na época estava localizado no que diziam ser o antigo teatro da cidade. O local foi totalmente reformado, mas o chão de madeira, quando pisávamos caminhando de um lado para o outro, fazia com que uma ou outra peça se mexesse um pouco. Naturalmente não posso comparar uma peça de faiança com uma estátua de 25 centímetros feita em pedra, mas quando eu estava no local éramos três ou quatro pessoas na sala, então dá para se imaginar o que uma sala bastante movimentada pode fazer. Agora em novembro (2013) uma equipe do programa de TV “Mystery Map”, da ITV, confirmou esta suposição e completou explicando que não eram somente a movimentação dos turistas, mas a chegada e partida dos carros e ônibus próximo ao museu. Somado a isto, a base da estátua é convexa, com uma protuberância na parte inferior, o que a torna mais susceptível a vibrações do que as outras imagens da mesma prateleira.
Porém algumas pessoas preferem explicações mais espirituais. Se for este o caso, este poltergeisté no mínimo exibido. Porém, de uma coisa eu não tenho dúvidas: depois disto as visitas ao Museu de Manchester devem ter aumentado.
2 – A múmia de Ramsés se mexendo e assustando seus expectadores
Múmia de Ramsés II.
Múmia de Ramsés II.
Procurei mais na internet acerca deste ocorrido e não encontrei, então o que vou citar abaixo parte da minha lembrança de infância acerca do caso.
Esta é a história mais simples e mais fácil de ser explicada: em uma tarde qualquer de visitas o braço da múmia do faraó Ramsés II simplesmente se mexeu, assustando todos os que a observava.
A explicação: Devido à mudança de ambiente que o corpo do faraó tinha sofrido, a múmia começou a entrar em decomposição e os músculos que estavam rígidos devido à mumificação agora estavam se afrouxando, fazendo com que um dos braços começasse a se erguer. Felizmente o problema foi identificado e todas as múmias reais do Museu do Cairo ficam em recintos com a temperatura controlada.
3 – Omm Seti: a reencarnação de uma sacerdotisa egípcia
Omm Seti no templo de Seti em Abidos. O’CONNOR, David; FREED, Rita; KITCHEN, Kenneth.Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007. P. 16.
Omm Seti no templo de Seti em Abidos. O’CONNOR, David; FREED, Rita; KITCHEN, Kenneth.Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007. P. 16.
Dorothy Louise Eady (1904-1981) foi uma inglesa cuja história é contada e recontada em livros, revistas e sites que tratam de reencarnações, despertando a curiosidade dos mais diferentes tipos de pessoas acerca da possibilidade da existência de vidas passadas. Dorothy (que com a maturidade foi apelidada de Omm Seti) dizia que após um acidente que sofreu na infância começou a receber visitas de espíritos que lhes contavam acerca de sua vida como aprendiz de sacerdotisa no então recém-aberto templo do faraó Seti I em Abidos. Segundo contam as histórias, Dorothy, graças as suas memorias, foi capaz de auxiliar um grupo de arqueólogos a encontrar um jardim, que estava perdido, no meio das ruínas do templo. De acordo com o diário da Dorothy, ela teria sido amante do faraó e devido a isto se suicidou para guardar seu segredo.
A explicação: Em verdade as narrativas registradas no diário de Dorothy Eady raramente são contestadas, desta forma, infelizmente ninguém se dispôs a desmentir ou confirmar algumas das alegações dela, como de que embaixo do Templo de Seti I em Abidos existiria uma câmara mortuária secreta ou que o Osirion de Abidos não teria sido construído por Seti I.
4 – A Maldição de Tutankhamon
Rosto de um dos ataúdes de Tutankhamon. Fotografia tirada pela a expedição ao Egito realizada pelo o Metropolitan Museum of Art. (Ano desc.)
Rosto de um dos ataúdes de Tutankhamon. Fotografia tirada pela a expedição ao Egito realizada pelo o Metropolitan Museum of Art. (Ano desc.)
Em 04 de novembro de 1922, o arqueólogo inglês, Howard Carter, descobriu a tumba do faraó Tutankhamon. Suas pesquisas foram financiadas pelo Lorde de Carnarvon, que assegurou exclusividade acerca das novidades da descoberta unicamente para o jornal The Times. Porém, ele não pôde aproveitar muito os trabalhos no local, uma vez que acabou por falecer seis semanas depois em circunstancias pouco comuns: diz a história que ele ficou encamado devido a uma febre repentina e em seus últimos dias de vida teve alucinações em que dizia ser atacado por um pássaro que lhe “arranhava o rosto”. No momento de sua morte as luzes do Cairo se apagaram por alguns segundos e no mesmo instante sua cadela de estima, que estava na Inglaterra, deu um uivo e morreu em seguida. Desde então os jornais começaram a listar outras mortes de indivíduos ligados ao sepulcro.
Quinto Conde de Carnarvon.
Quinto Conde de Carnarvon.
A explicação: A possibilidade de que uma maldição caiu sobre as pessoas ligadas com a abertura da tumba de Tutankhamon fascinou muita gente, mas não passou de uma jogada da imprensa sensacionalista. Como o The Times detinha todos os direitos de publicação em primeira mão das notícias relacionadas com a descoberta, os demais jornais precisaram se contentar em publicar informações não exclusivas, por este motivo aproveitaram a morte incomum do Lorde de Carnarvon – que por acaso morreu devido a uma ferida infeccionada – e utilizaram as tragédias fatais que viriam a seguir para justificar uma maldição, mortes estas cujos alguns dos indivíduos nem sequer pisaram dentro da tumba. Acerca das luzes do Cairo se apagarem foi pura coincidência, na época ocorriam vários apagões de energia na cidade. A morte da cadela de fato ocorreu naquele dia, mas nunca ficou confirmado se no mesmo horário que o seu dono.
5 – A múmia que afundou o Titanic
Titanic saindo de Southampton. Fotografia original. 1912.
Titanic saindo de Southampton. Fotografia original. 1912.
Em 14 de abril de 1912 às 23h40, o até então mais luxuoso transatlântico do mundo, o Titanic, atingiu um iceberg em sua rota para a América. Dentro de duas horas e meia o navio naufragou. Dos dois mil e duzentos passageiros e tripulantes a bordo, apenas setecentas e cinco pessoas foram salvas. Foi um dos maiores desastres envolvendo vidas humanas que temos conhecimentos e como tal levantou varias suposições mirabolantes para a causa principal do seu naufrágio. Uma delas é que o Titanic transportava uma múmia, que teria amaldiçoado a embarcação.
A explicação: Li esta estória quando criança e na matéria já deixava claro que não existia múmia alguma no navio. Porém, em uma leitura posterior fiquei sabendo que a passageira Margaret Brown tinha embarcado com uma pequena coleção de peças egípcias – que não incluía um corpo dissecado -, inclusive um shabit que presenteou posteriormente ao comandante do S.S. Carpathia, Arthur H. Rostron, que socorreu os sobreviventes da tragédia que ainda esperavam nos botes salva-vidas
Neste mês (novembro), foram comemorados 91 anos de descoberta da tumba do faraó Tutankhamon e para solenizar a revista História Ilustrada publicou o texto “Os Mistérios de Tutancâmon” (Ano 2, n°5 – 2013). Em comemoração ao evento, esta edição veio com uma capa com um desenho ilustrando o faraó através da sua polêmica reconstituição facial lançada em 2005.
Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.
Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.
Para discutir o tema “Tutankhamon”, o editorial dedicou oito páginas para ele, com os pontos de debates bem distribuídos e bem confortáveis para ler, porém, em termos de conteúdo, a matéria possui alguns problemas e são eles:
▸ O artigo inicia com uma chamada equivocada (página 26), afirmando que a tumba do faraó foi encontrada no dia 26 de novembro de 1922, mas neste dia o que ocorreu foi a abertura da parede que levava para a primeira câmara e o pronunciamento da famosa frase do arqueólogo Howard Carter, “Vejo coisas maravilhosas”, quando ele observou o que existia dentro do túmulo pela primeira vez. Em verdade, a tumba foi descoberta semanas antes, no dia 04 de novembro.
▸Tutankhamon não foi o faraó mais jovem a assumir o trono, mas provavelmente Pepi II (VI Dinastia), o qual acredita-se que começou a reinar aos seis anos.
▸ Ao contrário do que a matéria apresenta, a tumba estava perfeitamente identificada já na parede inicial que lacrava o sepulcro. A princípio Carter não sabia a quem pertencia porque não tinha retirado todo o entulho que cobria a primeira parede antes do dia 24 de Novembro.
▸ O resultado dos trabalhos de Hawass, citado na página 30, não saíram em 2012, mas em Fevereiro de 2010.
▸ A múmia da KV-21, no relatório original da pesquisa, não foi confirmada como sendo Ankhesenamon, a esposa de Tutankhamon, mas como alguém de vínculo sanguíneo próximo.
Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013. Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. .
▸ Somente uma das crianças encontradas na KV-62 foi confirmada como sendo filha de Tutankhamon, a outra não tinha material genético suficiente para a análise.

Para quem ficou na curiosidade:
▸ Na página 27, no quadro “A Maldição do Faraó”, a lenda da frase com o agouro foi inventada pelos veículos de imprensa, que queriam tirar lucros vendendo histórias sobre a tumba.
Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013. Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 
▸ Na página 28 o Vale dos Reis é descrito como o local de sepultamento dos reis, mas isto foi somente durante um período (especificamente durante o Novo Império), posteriormente, nos tempos mais tardios, algumas das tumbas seriam reutilizadas por plebeus. Em complemento, mesmo no Novo Império, o local serviu para sepultar também outros membros da realeza e pessoas da nobreza.
▸ Na página 29, a cama ritual apresentada (chamada no texto de “baú”) embora tenha ligação com a deusa Hathor ela é referente a outra divindade chamada Mehet-Weret.
No geral, embora possua estes equívocos, a matéria visualmente é bem convidativa. Alguns dos nomes egípcios não foram convencionados para a grafia adotada no Brasil, o que pode gerar um grande estranhamento. Por fim, vale ressaltar que já surgiram novas teorias de como se deu a morte do faraó e o grau de parentesco das múmias utilizadas nos exames para identificar membros da sua família. Muitas das propostas lançadas por Hawass e sua equipe de 2010, as quais os resultados da pesquisa foram listados na matéria, não são aceitas unanimemente pela a academia e inclusive existe uma série de artigos questionando a viabilidade das conclusões apresentadas. Infelizmente tais réplicas não ganharam espaço na imprensa
.

A Rainha Cleópatra versus a História

Cleópatra VII foi uma rainha que viveu durante o Período Ptolomaico, cuja história inspirou vários mitos, filmes e documentários. Embora muitas biografias pitorescas tenham sido inventadas por seus desafetos, aparentemente a real Cleópatra VII foi uma líder única, educada com as melhores fontes de informação e articulada.
No vídeo abaixo, que faz parte do TED-Ed (um projeto que reúne educadores com animadores), temos um resumo das realizações dessa rainha e como a história tem sido muito injusta com ela. Vale muito a pena assistir. Ele está em inglês, mas é possível habilitar a legenda para o português, é só ir na aba do play que vocês encontrarão um quadradinho ao lado de uma engrenagem: clique nela e escolha o idioma do seu interesse.
Sugiro também que leiam o meu artigo “Como a Arqueologia tem minimizado o papel das mulheres egípcias que viveram na Antiguidade faraônica”. Em um dado momento uso a Cleópatra como exemplo.Este vídeo foi enviado pelo estudante de Arqueologia, o Marcel Raely Fontes, que estuda na mesma instituição em que me formei. Quando o abri demorei um pouco para processar as informações (eu ficava pensando “se tem gente que achou o clipe da Katy Perry ruim, imagina só isto!”) até perceber que se trata de um programa de humor que faz paródias com figuras históricas.
Na música Cleópatra é a mulher mais poderosa do seu tempo, mas também “rainha dos romances ruins”. O clipe está em inglês, mas possui legenda para o português. No Brasil os vídeos dessa coleção passam atualmente na TV Escola no “Deu a Louca na História

Foram os ossos da irmã de Cleópatra VII encontrados? O mais provável é que não

Na ultima semana de fevereiro (2013), a arqueóloga da Austrian Academy of Sciences, Hilke Thür, durante sua palestra Who Murdered Cleopatra’s Sister? And Other Tales from Ephesus, no Museum of History in Raleigh na Carolina do Norte, afirmou ter identificado os ossos da irmã de Cleópatra VII, Arsinoe IV, princesa que de acordo com a historiografia teria traído a irmã e organizado uma rebelião se proclamando rainha. No entanto, Cleópatra VII venceu Arsinoe IV e com o auxílio de Júlio Cesar a enviou para o exílio, mas por ser uma rival ao trono teria sido assassinada em 41 antes da Era Cristã, sob as ordens da irmã e Marco Antônio.
Imagem do documentário Cleopatra: cleopatra-
Os ossos foram encontrados em 1926 nas ruínas de Éfeso, uma antiga cidade grega na Turquia, especificamente dentro de uma estrutura arquitetônica denominada “O Octógono”, e teve o crânio separado do restante do conjunto. O corpo só foi reencontrado em 1985, já o crânio está desaparecido.

Uma polêmica desde 2009:
De acordo com a pesquisa, a mulher, hora identificada pela impressa como uma jovem de 15 a 16 anos, hora como uma de 18 a 20, teria vivido em algum momento no século I antes da Era Cristã, período em que Cleópatra VII viveu, e Éfeso seria o local em que a princesa teria sido exilada. Munida destas informações, Thür deduziu que tais ossos seriam Arsinoe IV porque eles foram sepultados em uma localização ilustre e pelo desenho octogonal da tumba ele remeteria ao formato do farol da ilha de Pharos, o hoje chamado “Farol de Alexandria”. Porém, suas evidencias são circunstanciais.
Ossos encontrados em Éfeso. Imagem disponível 
A professora de assuntos clássicos de Cambridge, Mary Beard, confirma que a princesa teria sido assassinada em Éfeso, mais especificamente na escada do templo de Diana, mas este seria o único episódio que a ligaria ao local. Já a tumba octogonal, que não faz inferência nominal acerca de quem a ocupa, não tem o que remeta de fato ao farol de Alexandria [2].
Para aumentar a polêmica, o crânio foi submetido a uma reconstituição facial realizada pela equipe do Scotland’s University Of Dundee. A imagem foi lançada em 2009 no documentário Cleopatra: Portrait of a Killer (BBC), apresentada como sendo Arsinoe IV, mesmo sem nenhum dado conclusivo.
Reconstituição facial do crânio encontrado na Turquia apresentada no documentário “Cleopatra: .
A equipe também tentou aplicar testes de DNA, mas os ossos estão contaminados devido a manipulação por parte de várias pessoas.
De acordo com o classicista David Meadows tal reconstituição foi realizada com dados de medidas do crânio retiradas em 1920 [3], uma vez que sua atual localização é desconhecida desde a Segunda Guerra Mundial. Isto nos dá mais um problema metodológico. Em seu blog www.rogueclassicism.com, em 2009, ele realiza um apanhado de artigos de jornais que comentaram sobre o crânio e fez questão de denotar a importância da impressa para a disseminação equivocada (embora “irresponsável” seja a melhor definição) desta notícia.

Minha opinião:
Dado o que foi apresentado pela a equipe é impossível não concordar com os demais pesquisadores que não aceitam a proposta de Thür e seus colegas. As evidencias organizadas são extremamente circunstanciais e deixa uma “dúvida razoável” entre os leigos e isto justamente com um assunto tão polêmico, já que se trata de algo associado com Cleópatra VII.
Quando indagada acerca das críticas que vem recebendo dos colegas, Thür afirma que se trata de ciúmes. Inveja na academia é um dos sentimentos mais corriqueiros, mas nesta situação os questionamentos e críticas possuem validade.
David Meadows, ainda em seu post, faz uma abordagem interessante e que precisa ser levada em conta: não se sabe como se deu o sepultamento. Teria sido da forma tradicional egípcia ou não? E aqui deixo o meu complemento: mesmo que ela não tenha recebido um sepultamento egípcio, o acompanhamento funerário poderia dizer algo acerca, no entanto, aparentemente não foi divulgado nada sobre.
Meadows faz outra chamada: de acordo com a descrição o crânio teria sofrido um tratamento de alongamento durante a infância, mas são traços encontrados em crânios da Turquia e Arsinoe IV nasceu e cresceu em Alexandria. Existem debates acerca da prática do alongamento craniano entre os egípcios e até onde posso afirmar nenhum entre sociedades influenciadas pela cultura grega (como foi a família ptolomaica).
O irônico na teoria de Hilke Thür é que ela está se empenhando muito em defender que se trata de Arsinoe IV, mas ignora a possibilidade de que esta descoberta possa vir a esclarecer um pouco da história de outro indivíduo que em nada tem relação com a sociedade egípcia e que graças a esta exploração da história da princesa exilada continuará sem identidade.

Arqueólogos descobrem tumba de sacerdotisa egípcia

Foi anunciado no último sábado a descoberta de uma tumba que provavelmente pertence a uma oficial de alto escalão que viveu durante a 5º Dinastia (Antigo Reino). Ela se chamava Hatbet e possuía os títulos de “sacerdotisa da deusa Hathor” e “alta funcionária ligada à realeza”. Sua sepultura encontra-se na área do Cemitério Ocidental a oeste da Grande Pirâmide do Platô de Gizé

A notícia foi dada durante uma conferência do Ministério das Antiguidades no platô, onde foi dito que blocos do túmulo foram desenterrados em 1909 por um explorador britânico que os enviou para Berlim e Frankfurt. “O túmulo nunca foi descoberto até outubro de 2017, quando a missão egípcia começou a escavação no cemitério ocidental de Gizé”, disse o Ministro das Antiguidades, Khaled El-Enany[2].

O ministro também explicou que o cemitério já havia sido escavado por várias missões arqueológicas desde 1843 e as mais destacadas e importantes foram feitas pelo ex-ministro das antiguidades, Zahi Hawass

É descoberto o mais antigo sítio arqueológico de Tell Edfu (Egito)

O sepulcro possui alguns detalhes interessantes, a exemplo da iconografia de um macaco doméstico dançando em frente a uma banda. Assim como inscrições únicas e imagens cotidianas como cenas de pastoreio, abates, bandas musicais e dançarinas[Uma missão de arqueologia do Instituto Oriental da Universidade de Chicago descobriu em Tell Edfu um complexo administrativo que remonta do final da 5ª Dinastia (Antigo Reino). A equipe é composta por pesquisadores dos EUA e do Egito sob a coordenação da Dra. Nadine Mueller e o Dr. Gregory Marward.

O Secretário Geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mostafa Waziri, disse que no momento esse complexo administrativo é a evidência arqueológica mais antiga encontrada em Tell Edfu. Até então a mais velha era datada da metade da 6ª dinastia.
A equipe trabalha nesse local desde 2014 e os pesquisadores estão bastante contentes com a descoberta. Um dos motivos é porque a construção possui evidências de expedições reais que foram organizadas durante esse período e que tinham como objetivo extrair minerais e pedras preciosas do Deserto Oriental. Esses mesmos edifícios foram usados ​​como armazéns para os produtos e mercadorias dessas expedições e constituem o que na época era um recém-fundado bairro de assentamentos na antiga cidade de Behdet (Edfu)

Essa construção é do tipo monumental e foi feita com mudbrick (um tipo de tijolo de barro) e está próxima do Templo de Edfu, que foi construído séculos mais tarde, durante o Período Ptolomaico.

Vários artefatos e algumas inscrições foram encontrados. Dentre eles estão 220 selos de tijolos de barro do rei Djedkaré Isesi (que ordenou uma famosa expedição a Punt), fragmentos de atividades de mineração, nomes dos trabalhadores que participaram de escavações (a exemplo do comandante Sementio) e obras mineiras. Também foram encontradas conchas do Mar Vermelho e potes advindos da Núbia (atual Sudão).

Descobertas paralelas:
Próximo a Edfu também foram realizadas pesquisas. Na área de Kom Ombo estatuetas (tanto de deuses como de pessoas) foram encontradas. Assim como uma estela de pedra calcária que descreve um homem e sua esposa apresentando ofertas para uma deidade sentada Outro detalhe é que ele é feito de tijolos de barro com uma camada de argamassa. Por conta deste pormenor o Secretário Geral do Conselho Supremo das Antiguidades, Mostafa Waziri, acredita que esse não é o túmulo principal da Hatbet Então, existe a esperança de se encontrar outra estrutura funerária também pertencente a essa mulher

O Platô de Gizé hospeda algumas das mais antigas tumbas do Egito. A maioria delas eram destinadas a reis e suas esposas, assim como funcionários de alto escalão e sacerdotes, como é o caso da Hatbet

Uma equipe de arqueólogos egípcios encontrou restos de paredes de tijolos de barro e uma série de artefatos datados de diferentes épocas do Egito Antigo, assim como quatro fornos do Período Tardio, espaço de tempo referente as últimas épocas do Período Faraônico. As descobertas ocorreram no sítio arqueológico de Tell el-Farain, também conhecido como “antiga Buto”, em Kafr Al-Sheikh, Delta.

Ayman Ashmawy, chefe do setor de Antiguidades do Egito Antigo do Ministério das Antiguidade, relatou ao Ahram Online que os estudos nas paredes de tijolos sugerem que elas podem ter sido o principal eixo do antigo templo de Buto. Já sobre os fornos, eles poderiam ter sido usados para a preparação das oferendas que eram dadas para as divindades dentro do templo.
Ele ainda explicou que a missão também encontrou as fundações de duas colunas de calcário, que poderiam ter feito parte de um salão. Parte de uma estátua de pedra calcária do rei Psamético I também foi descoberta. Um grande fragmento de outra estátua real, desta vez esculpida em granito negro, também foi encontrado. Não se sabe quem está representando, mas um exame preliminar sugere que também poderia pertencer ao rei Psamético I. Este faraó foi notícia ano passado (2017) quando uma estátua colossal sua foi encontrada em uma periferia do Cairo.



Já a cidade de Buto, chamada na era dos faraós de Per- Wadjet, era tida como a cidade natal da deusa protetora do Baixo Egito, a serpente Wadjet. Sua importância se dá por ter sido uma das cidades mais antigas do Egito, abrigando alguns dos primeiros reis.
Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.
Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.
Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.
Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.
Foto: MSA
A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:
As ruínas de um antigo templo egípcio votivo à deusa Ísis, divindade da magia e protetora do trono real, foram descobertas em medos de novembro (2017) por trabalhadores em um projeto residencial na cidade de Banha, capital da governança de Qalyubiya.
Ísis é a segunda da esquerda para a direita. Imagem meramente ilustrativa.
Os trabalhadores notificaram o ocorrido ao Ministério das Antiguidades, que enviou uma equipe de arqueólogos ao local da descoberta para dar início aos trabalhos de Arqueologia. Tais pesquisas identificaram inscrições que descrevem antigos alimentos egípcios. Também foram identificadas imagens de Ísis e do seu filho, o deus-falcão Hórus.
Hórus. Imagem meramente ilustrativa.
De acordo com o Egypt Independent, essa descoberta tem a capacidade de colocar esse sítio arqueológico no mapa turístico.
Um historiador local, Ahmed Kamal, professor de História da Universidade de Banha, apontou o potencial histórico dessa área, declarando que é um sítio rico em antiguidades, apesar de ser negligenciado pelo Ministério das Antiguidades. Ele ainda acusou o Ministério de “sabotagem deliberada”, uma vez que, de acordo com ele, o órgão tem negligenciado o local, que possivelmente tem 4.500 anos.
Ísis é uma das divindades mais importantes da Antiguidade egípcia. Seu mito é apresentado quase que na integra na obra “Moralia”, de um grego chamado Plutarco (66 d.E.C.–67 d.E.C.), que visitou o Egito nos anos finais do faraônico. Se você tiver interesse em divindades egípcias no canal do Arqueologia Egípcia 

localização de templo de Ramsés 

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir. A descoberta foi anunciada pelo Dr. Mostafa Waziry, Secretário Geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Dr. Waziry explicou que a missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

O Dr. Mohammed Megahed, diretor-adjunto da missão, disse que o templo tem 32×51 metros de largura e consiste em fundações de tijolos de barro que compõem uma de suas torres e um grande pátio que leva ao pilar cujas algumas partes de seus corredores são pintadas em azul. E na extremidade traseira do pátio, foi encontrada uma escada ou uma rampa para um santuário em que o espaço final é dividido em três câmaras paralelas. Os restos deste edifício foram cobertos por enormes depósitos de areia e cascalhos de pedras que podem conter fragmentos de relevos policromados.

O Dr. Miroslav Barta, o chefe da missão checa, explicou que os diferentes títulos do rei Ramsés II foram encontrados gravados em fragmentos de relevos que estão ligados ao culto a deidades solares, a exemplo de Rá. Vale salientar que a adoração do deus do sol “Ra” na região de Abusir começou durante a 5ª dinastia e continuou até o Novo Império. Barta ainda complementa que este templo é a única evidência de Ramsés II na necrópole de Memphis, o que o caracteriza como uma descoberta importante.

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